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GUSTAVO MINERVINO SOUZA FERREIRA

A vulnerabilidade do discurso mamãe falei!

Em meio ao mês internacional da mulher insurgiu uma presepada política ocasionada pela mensagem de voz em uma rede social feita por um parlamentar paulista conhecido como “Mamãe Falei”. A vulnerabilidade da sua opinião se refere à condição que aquele cidadão visualizou nas mulheres ucranianas que vivem uma desagregação social, ocasionado pela guerra.

 

A descrição feita pelo parlamentar, indica o preconceito e relaciona-se ao resultado do processo de exclusão de uma determinada nação, discriminação e enfraquecimento da mulher que compõe um determinado grupo, provocado por fatores, tais como pobreza, crise econômica, nível educacional, localização geográfica e baixo nível de capital, social, humano e cultural que estão sendo, todos eles, difundidos pela guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

 

A intenção aqui não é reproduzir a equivocada explanação do parlamentar, mas sim, evidenciar que no mês da mulher, o discurso adotado na política brasileira de forma geral é raso e sempre perfunctório.

 

A população quando se depara com tamanho absurdo tende a reagir com indignação. Tal indignação atravessou as redes sociais, eis o contexto de miséria e violência que as mulheres mais vulneráveis sofrem diariamente.

 

Para quem não vê nada de mais é exatamente sobre isso, a estrutura se mantém a mesma. Em um país preponderantemente ocupado por mulheres, seja preta, branca, parda, a vulnerabilidade do discurso, patenteia a falta de diversidade, de fato, representa a estrutura brasileira. Ou seja, bem-vindo ao mundo real.

 

Certo que não há democracia no mundo civilizado capaz de limitar a liberdade de expressão mesmo quando reproduzindo o mais completo absurdo. Sendo assim, correto é o controle moral ser feito pela população e a Ordem dos Advogados tem papel fundamental nessa luta, eis ser a instituição que defende a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugna pela boa aplicação das leis.

 

Em um contexto estrutural que envolve todo o mundo moderno, uma das maiores escórias da sociedade é o “lacrador”, seja de redes sociais, seja da imprensa, seja de qualquer lugar, porque é uma alma mesquinha que se sente superior.

 

Nota-se, todas as condutas dessas pessoas são pautadas em um senso de justiça pessoal e narcisista, onde o único desejo é eliminar quem não é visto como espelho. A determinação da sua consciência individual pressupõe um acordo com um identitário e fascista que impõe o controle disfarçado de opinião e justiça.

 

Não adianta ser sério, tem que parecer sério. Quando um político reproduz uma verdade pessoal, ele não expõe a opinião de todos, mas se coloca sozinho em uma narrativa que entende ser o lado certo. O problema é que esse lado certo parte de uma concepção de mundo ideológico que nem todos coadunam com a mesma premissa.

 

O Brasil é tão burocrático que é o país do mundo que mais tem hipóteses de inelegibilidade. Entra eleição e sai eleição e nada muda, a população de modo geral prefere vender o voto a comprar ideias.

 

A característica do que é moral não pode ser imposta por Lei. A cartilha da moralidade deve ser preenchida pela população, caso contrário, é serrar o galho em que está sentado, pois, será usada como massa de manobra de falsos moralistas que difundem teorias sob pretexto de regenerar o mundo.

 

O conjunto de oratórias que o nosso país com frequência vem passando em várias dimensões, é prisioneira do próprio trânsito de ideias. Como toda a prisão o prazo é determinado e, cabe a cada um de nós a compreensão da fala, pois, ela é a forma que você confessa a sua verdade íntima mais desonesta.

 

O que levamos deste mundo são os enlaces divinais estabelecidos com pessoas que cruzam nossos caminhos emanando luz, sem dúvidas a vulnerabilidade da fala que você escolher irá atenuar ou não as agruras de um cotidiano por vezes fatigado e repleto de energias diversas.

 

A sociedade tem que cair na real e dentre todo o contexto a certeza existente é: A mulher é um grato presente oportunizado por Deus ao mundo!

 

Gustavo Minervino Souza Ferreira é advogado, presidente da Comissão de Gestão e Advocacia Popular da OAB/ES e Especialista em Políticas Públicas e Ciências Criminais 

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