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ESA-ES apoia seminário sobre “Psicologia das Massas em Tempos de Políticas da Inimizade”

Com o apoio da Escola Superior de Advocacia (ESA-ES), da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Espírito Santo (OAB-ES), a Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória realizará a partir de 06/04, às 11 horas, o Seminário Mensal “Psicologia das Massas em Tempos de Políticas e Inimizade - Um Olhar Psicanalítico”, sob à coordenação da psicanalista, membro da E.L.P.V, professora convidada da FDV na Conexão Direito e Psicanálise, Renata Conde Vescovi. Os encontros serão mensais e transmitidos pelo Zoom.

As inscrições devem ser realizadas pelo telefone (27) 99818-2261.

Renata Vescovi explica que o objetivo do seminário é, a partir da obra “Políticas da Inimizade”, de Achille Mbembe, tomada de empréstimo para o tema, articular com os conceitos da psicanálise o paradoxo “escondido” na paisagem das democracias liberais, com seu imperialismo destrutivo aos povos colonizados e suas políticas sádicas de colonização, que culminaram em campos de extermínio. “Nas palavras do autor camaronês, democracia e segregação são como ‘opostos que se sustentam, um ao outro, orientados pela política da inimizade''', explica.

Segundo ela, tal formulação leva diretamente ao que Sigmund Freud não cansou de alertar aos iluministas de sua época: não há sociedade democrática que esteja ao abrigo da violência, e, no coração dos laços de fraternidade, sempre se encontra a segregação e o ódio ao semelhante.

“A ideia é lançar algumas questões partindo da perspectiva da psicanálise de que o corpo psíquico, efeito do encontro da carne humana com o Outro da linguagem – este caldeirão de marcas significantes intraduzíveis e de elementos simbólicos, históricos, que compõem a cultura de uma época, incorporados naquele que acolhe no mundo o bebê humano – é equivalente ao corpo social”, esclarece a psicanalista.

A pergunta, segundo ela, é: “De que maneira os corpos psíquicos, tecidos de significante e gozo, constituídos no privado dos laços familiares, são capturados no laço social, produzindo no interior das democracias as mais violentas experiências totalitaristas?”.

Em outras palavras, explica melhor: “Como os objetos parciais (seio, fezes, olhar e voz), que são causa de desejo, entram em circulação no laço social, podendo ser integralmente cooptados pelo soberano mercado ultraliberal, denominado hoje de “capitalismo de gestão de órgãos sem corpos” (Achile Mbembe), devorando, assim, a margem de liberdade necessária para preservarmos nossas singularidades?”

“Se o discurso do analista é, por excelência, um discurso que, contingencialmente, pode nos separar parcialmente da servidão voluntária ao Outro que nos acolhe no mundo – ao mesmo tempo em que nos aliena a seus desejos –, como pensar os efeitos dessa margem de liberdade alcançada no laço social? Quais são seus limites e alcances?”, conclui Renata Vescovi.

Confira os textos de referência para os encontros:

BATAILLE, Georges. O Erotismo.
FREUD, Sigmund. Psicologia das Massas e Análise do Eu.
LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 17: O Avesso da Psicanálise.
MBEMBE, Achille. Políticas da Inimizade

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